domingo, 28 de dezembro de 2008

ATÉ 2009...


Recentemente perguntei ao Vini o que era a coisa que ele mais gostava em Buenos Aires e a resposta me surpreendeu porque foi a mesma que ele já tinha me dado em outra ocasião, ainda quando morávamos no Brasil: "minha casa".

Me lembrei então da minha cartinha de despedida onde eu dizia que o que era importante ia comigo, independente da geografia. Que alegria confirmar isso com esta resposta tão bacana do meu filhote.
Assim, desejo a vocês um 2009 com a casa cheia de amor, paz, saúde e muita alegria.
Bjo grande e até já!

ALMA ARGENTINA

ARGENTINA ADVANCED


Este hermano aí ao meu lado é o CAPUSOTO, um humorista tipo o Tom Cavalcanti daqui. Claro que não resisti e tirei uma fotinho com ele só pra mostrar pra vocês que estou entrando no nível advanced em relação aos meus conhecimentos das coisas locais.
Além do comercial abaixo, que ele fez pra uma telefonia celular local, no youtube vocês podem ver muita coisa hilária com ele.




sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

E SEGUE O CALOR, Oôôôôô

Buenos 31 x São Paulo 19.
O verdadeiro país tropical é a Argentina!




domingo, 14 de dezembro de 2008

MADONNA na terra do petit people

Show bacana, tudo certo...os comentários aqui são:
- numa puta produção não estar preparado pra chuva e ter que cobrir câmeras e enxugar o palco de última hora foi meio foda, isso tudo exatamente na hora da diva entrar em cena. "Mala suerte"...
- tem uma hora "Latinosa" no show e aqui a diva termina esta parte cantando "don't cry for me Argentina" e o estádio vem abaixo. Espero que esta parte seja adequada no Brasil, me avisem se rola a "gafe" ou se estavam ligados que a gente pode passar sem esta canção.
- a altura média do povo aqui facilita muito... vejam aí no videlito que a proporção em relação ao palco é
master favorecida. Se você tem 1,80m, já é rei...se tiver um 1.90m ou mais é Zeus! Eu tenho gentis 1,69 e ganho ou empato com muito homem daqui. Uma cara de 1,70 / 1,75 aqui já se destaca. As moças por sua vez são em sua maioria do tipo mignon, algo ao redor de 1,55....então panela e tampa estão numa boa mesmo tratandose de verticalidade!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

AI QUE CALOR, Ôooooo

… ontem das 20 as 22hs me senti na roça em 1950: luz de vela, pernilongos e contando uns “causos” pro Vini pra ajudar a passar o tempo.
E nesse puta calor eu sigo branquela, argh!!...ai que saudades da casinha na Granja....

O BOTECO


Poderia escrever um livro sobre o Bar do Roberto, tantos os detalhes que me chamaram a atenção.
A decoração com muitas garrafas de bebidas nas prateleiras que parecem estar lá há uns 100 anos. E a poeira e o garçom testemunham que o bar realmente existe há 100 anos.
O público são jovens ABC, 25+, 80% masculino, estilo meio anarquistas, meio intelectuais, meio reggae, 60% da amostra masculina tinha cabelo com dreadlocks. Enfim, bichos-grilos!
Nada de muitos aperitivos como nos botecos tipo Original, nada de coxinhas maravilhosas, nem croquetes, nem bolinhos de arroz, apenas tabuinha de frios meia-boca ou sanduíche de pão com mortadela.
Mas lá pelas tantas sobe no mini-micro palquinho este senhorzinho simpático, Osvaldo Pereira, e manda uns tangos daqueles!!
Aí é um puta contraste porque a moçada toda cala a boca 100% e contempla o afinadíssimo Dom Osvaldo, como é chamado pelos mais chegados, que desempenha com muita classe. O cara do violão o acompanha com maestria. Osvaldo lá pelas tantas anuncia que vai cantar um tango “dramático”. Bá e eu nos olhamos e rimos como se um falando ao outro “ué, tango não é sempre dramático?" Osvaldo é um destes boêmios que já gravou muitos discos, cantou com famosos, ….coisa fina, apesar do choque visual que tivemos na entrada.
Eis aí uma opção pra quem gosta de sair do circuito mega turístico.

HORIZONTE BEM PERTINHO


Uma opção bem menos turistona pra quem resolver passar o verão por estas bandas é ir visitar San Izidro. Um tipo de Granja Viana a 40 minutos da cidade. Vale visitar a beira do rio, onde tem um lugar de parilla (churrasco) tipo “honesto”, mas que vale por este visual. Os locais tomam sol aí, coisa que ainda é demais pro meu gosto...

Se quiser se aventurar mais, vá de trem. Uma estação mais pra frente, estação Barrancas, tem uma feirinha de antiguidades, um corredor coladinho na própria estação que também é uma visita pitoresca. Pros mais empolgados, vale a opção de experimentar uma aula de kite-surf, tem muitas escolas ao redor. Eu me animei pra fazer aula de Laser, junto com o Vini, que vai de Optimist, como opção de aliviar o calor infernal deste lugar no verão sem ter que ir muito longe.
PS. o Bá acho que vai ficar na sombra tomando uma cervejinha….

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MARADONA


Acabou agorinha o primeiro jogo do Maradona como técnico da seleção Argentina.
Embora o comentarista tenha dito, partida DISCRETA, como sempre vale o resultado! 1 Argentina e 0 Escócia. E a manchete no Clarin on line é:
Aprobaste, Diego!
Desde hoy, el 19 de noviembre quedará marcado a fuego en la historia de nuestro fútbol.

Esse cara tem sorte viu! Me lembro de quando ele esteve pra morrer, eu vim numa reunião aqui e o taxista basicamente chorava no carro dizendo que ele já devia estar morto e que estavam segurando a notícia. Mas nosso maior hermano segue aqui: gordinho, botocado, firme e forte!!!

MATE


Falando em costumes locais, sim já dou umas bicadinhas em roda de mate (chimarrão), que incluo na categoria de rituais o “ruim que é bom”. Prefiro rituais “bom que é bom mesmo” e não os que você foi treinado e se condicionou a gostar da coisa em questão… mas entre um vinho e outro, tudo bem, que venha o mate!

AUTORAMA


Essa fotinho aí é uma prática local muito usada no trânsito aqui. Numa rua com duas faixas, os carros se espremem e abrem uma terceira, e fica assim tipo piloto de autorama no meio da faixa.
Claro, se eu tirei esta fotinho é porque também estava na faixa “alternativa”, prova irrefutável de minha quase total adesão aos costumes locais!
Ai de mim no dia que dirigir outra vez em São Paulo….

sábado, 8 de novembro de 2008

LUNFARDOS

Como este blog, embora não tenha esta pretensão, termina prestando serviços úteis à comunidade, lá vão umas gírias (lunfardos), pra você avançar num vôo direto do básico 1 do boludo e desubicado prum palavreado que conhecemos melhor quando estamos na intimidade de um lugar.

PAJA / PAJERO = PUNHETA / PUNHETEIRO. Usa-se tal qual no Brasil, "que paja", "que pajero", "paremos con esa paja". Ou seja, a Toyota aqui em Buenos Aires não lançou tal caminhonete.

ESTAR AL PEDO = estar sem fazer nada, estar à toa.
Mas cuidado pra não se confundir porque
ESTAR EN PEDO = estar bêbado/borracho - "me empedé ayer a la noche" = tomei todas.
E olho porque ainda:
NI EN PEDO = nunca, jamais, nem a pau.

Falando em beber:
CHUPAR A LO PAVOTE = beber muito, tomar todas.

E se for chupar pra ter coragem de chegar numa mina, se diz CHAMULLAR = chavecar.

E de depois que você chavecou/chamulló, o povo comentou, se diz CHISME = fofoca . E quem faz fofoca é uma CHISMOSA = fofoqueira.

E se a coisa estava mais ou menos, se diz A MEDIO PELO = meia-boca.

E ainda que eu siga usando muito os velhos e bons boludo e desubicado, meu lunfardo preferido e mais usado no momento é:
ME CHUPA UM HUEVO = não estou nem aí pra isso / não ligo a mínima / caguei e andei.

MONA


Nós brasileiros mandamos um portunhol sem pagar imposto, pedimos uma Cueca-Cuela, nos sentindo os próprios Maradonas (vai ganhar um post já já, ele merece). Então o que você entenderia se tivesse numa festinha e alguém comentasse "que mona esa chica". Se você estudou formalmente o livro básico 1, se foi bom aluno, vai saber que MONO é MACACO, logo MONA é MACACA. E a tradução ao pé da letra da frase seria "que macaca essa garota". Ai você ia olhar se ela está com a depilação vencida, se tem o nariz chato ou se é uma mocréia simplesmente. Pois bem, ledo engano, caro leitor! MONA é uma gíria (lunfardo, em espanhol) sinônimo de bonita, isso mesmo, um elogio às mulheres. Vejamos: "estás muy mona con esa ropa" ou até para referir-se a um objeto feminino como "que cartera moníssima"...enfim, sabe-se lá o que passou com os macacos por aqui pra se chegar em tal comparação, credo!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

CINEMINHA



As estréias aqui demoram mais pra entrar em cartaz do que em São Paulo.
Então talvez meu comentário já seja papo velho por lá, mas anyway, pra quem ainda não viu, o filme dos Irmãos Coen, "Burn after reading", é muito bacana. Sinopse e comentários à parte, só queria dizer que acho que o que os Coen mais curtiram foi dar pro Brad Pitt e pro Clooney personagens absolutamente patéticos, uma super vingança em nome de todos os pobres mortais da raça masculina.

O outro filme que rolou aqui recentemente e que curti muito foi "In Bruges", do Martin McDonagh, com o Colin Farrell, que estava mesmo precisando de um papel assim pra dar a volta na sua carreira. Aqui o filme não é unanimidade, tem um humor irônico que de repente não fala com todo mundo mesmo, tem que conferir pra saber.

Agora vou esperar a estréia de Ensaios sobre a Cegueira, que por aqui ainda não deu as caras, rs!

E pra não dizer que não falei das flores, se você pedir uma pipoca/pochoclo doce (vide explicação da pronuncia do CH no post "boliche"), os caras simplesmente "salpicam" o açúcar na pipoca igual fazem com o sal. Não colocam o açúcar antes de estourar a pipoca pra fazer aquele caramelado gostoso, snif!!!!

BOLICHE


Boliche é balada em espanhol. Isso é a primeira coisa que você precisa saber se sua intenção for curtir uma balada por aqui. Aí se nenhum amigo, nem eu, te derem dicas de onde ir você simplesmente pergunta pra algum garçom descolado ou já direto pro taxista: "donde hay un BOLICHE" (importante pronunciar boliTCHe, igual o "Tche" de CHE Guevara, se não os caras não entendem, acredite se quiser!).

Agora, a balada aqui começa tarde, tipo 1 da manhã, e bomba lá pelas 3. Então também é bom agitar um esquenta antes pra não perder o embalo. Aí tem opções desde bares mais transados até pubs ingleses ou o combo resto/bar.
A fotinho aí é de um esquenta que fizemos ontem num Ap de cobertura na Recoleta. Pelo tamanho gigante da varanda, com direito a churrasqueira/parrilla e tudo, você pode imaginar o resto do Ap. Uma opção diferente de hotel, que pra dividir com amigos acho que fica até mais barato e, claro, mais animado. Coisa pra guerreiro!

domingo, 19 de outubro de 2008

DIA DE CLÁSSICO - Boca x River

"Boca Juniors hizo enmudecer este domingo al Estadio Monumental de River Plate, al triunfar por 1-0 en el Superclásico del futbol argentino."

Escrevo por duas curiosidades. A primeira é que o jogo não foi transmitido direto, só por pay per view. Porém a FOX Esportes encontrou uma saída: passou 90 minutos filmando só a torcida e narrando o jogo como se fosse rádio. Genial!!

A outra é que o o estádio do River tem capacidade pra cerca de 60 mil torcedores e o Boca teve quota apenas de 3 mil, e nem cambista rolava comprar, tudo absolutamente esgotado, e olha que hoje é Dia das Mães aqui. Ah, a curiosidade em si é que eu perguntei como comprar ingresso para um jogo qualquer do Boca, de preferência na Bombonera, e soube que só vendem ingressos pra sócios. Ou seja, se eu chegar na bilheteria e quiser comprar, não vão me vender. O estádio do Boca tem apenas 30 mil lugares e o clube tem mais de 70 mil sócios....mas como tudo por aqui também tem um jeitinho, já me indicaram um camarada que quando o jogo é na Bombonera ele descola a entrada. EBA!! Qualquer hora vou me submeter ao sistema pra ter o gostinho de "hinchar por Boca en su cancha".

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

TOMO I

Este é o nome do restaurante que já tinha lido em 2 ou 3 lugares diferentes que era o melhor de Buenos Aires. Finalmente me entusiasmei a conhecê-lo, pois na mesma matéria o D.O.M encabeçava a lista dos melhores de São Paulo, o que me deu confiança no critério do jornalista.

Pois bem, TOMO I é um lugar meio over de decoração, mas até ai tudo bem. Ai vai ficando meio over no serviço também quando 3 pinguins diferentes ficam servindo mais vinho na tua taça e isto vai te dando no saco/llenando las pelotas...Aí você come um pãozinho da cesta e se empolga com um sabor adorável, pãozinho feito na casa e volta a se animar. Mas na hora da comida os pratos estavam apenas OKAY. Bem-feitos, no ponto, tudo certo,...pero "no te mata". Faltava alguma surpresa, um gostinho que você queira prolongar por mais tempo na boca, descobrir o ingrediente...e isso não acontece, falta alguma criatividade.

Pra não ficar na decepção, especialmente sabendo que íamos morrer numa boa grana, lembrei do pãozinho delicioso, e resolvi pedir uma sobremesa - Goool! Incrivelmente bem feita, mas neste caso, meu critério é apenas um bom equilíbrio de ingredientes...

Talvez esta perfeição seja uma prática que a chef tenha como sua marca, não vou condená-la pelos pratos que comi, mas tal qual os garçons, pro meu gosto, termina passando a mão!

1 ANO DEPOIS...


O primeiro ano aqui foi como andar de montanha-russa: vai embalando, tem horas que dá medo, que você se pergunta porque entrou no carrinho e tem momentos que você se surpreende, o coração bate mais forte, você se diverte. Agora, o bom é que quando você sai do carrinho e olha pra trás tem certeza que valeu a pena. Eis aí o meu balanço!

E passa rápido. Do AP vazio só com um futon dentro a uma casa que opera bem e ainda tem uma certa bossa.
Em 2009 o brinquedo vai mudar, acho eu, mas não quero arriscar nenhum palpite ainda! Com certeza vamos terminar de preencher a prateleira da fotinho aí ao lado. Me emociona olhar estes livros, quase todos em espanhol, e lembrar do primeiro deles que comecei a ler ainda no vai e vem do avião: O Passado, ótimo livro, filme idiota. Das releituras de clássicos de Vargas Llosa e Gabriel Garcia; Mitos Argentinos 1, 2 e 3 + o Atroz Encanto de ser Argentino pra mergulhar de vez neste lugar; algumas descobertas novas muito bacanas e outras que deixei pelo caminho. Como sempre, recomendações sob encomenda!

Ainda falta muito o que ver: viajar muito mais pelo país e seus arredores, renovar o repertório de restaurantes, fazer mais comprinhas em San Telmo, andar mais a pé, e seguir deslumbrada pelo céu azul que fecha perfeito com esta cidade lindaaaaa!!! Claro... tudo isso se a mistura Cristina + crise global não terminar silenciando o samba.


Votos de ano novo antecipadíssimos, vambora!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

GRANDE E PROFUNDO


“O brasileiro pensa grande, porém pouco profundo. Já o argentino pensa profundo, porém pouco grande”. Ao ouvir tal comparação conclui, dando risada, que minha estada por aqui me deixaria pensando grande e profundo, lógico!, o melhor dos dois mundos. Agora, piadinha à parte, mudar de país te dá sim uma virada do avesso. Ver, conviver, refletir e se encher com diferentes pontos de vista,…fazer esta viagem "mais pensada" ao ser humano as vezes mareia mesmo. Por isso, caro leitor, se for mudar de país, esteja preparado pra mais do que qualquer outra coisa, viajar em você mesmo. Ps. a fotinho aí não foi baixada da Internet não, tirei-a numa exposição do Rodin que rolou aqui, e agora ela vem bem a calhar pra ilustrar este breve papo cabeça.

domingo, 5 de outubro de 2008

PATAGONIA


“Tudo aqui é incrível”. Essa foi a resposta do Vini à minha pergunta sobre o que ele mais tinha gostado em Puerto Madryn/Península Valdes. E ele está absolutamente certo. Impossível comparar baleias, pinguins e leões marinhos. Cada um tem uma beleza em particular e todos estão num lugar alucinante.

Eu que vim pensando que era um programa mais pra deixar o Vini feliz, vou-me igualmente felizona, extasiada com a paisagem, me despedindo de um horizonte e de um entardecer incríveis enquanto escrevo este post. Recomendo a visita, mando dicas sob encomenda, e querida família, logo mais mando as fotos que estão ótimas. Bjo, jana

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

VISITA RELÂMPAGO


“Quer virar bom, ou morra ou se mude”. Este ditado, que conheço por minha mãe, já mereceu ser citado antes neste blog, mas por alguma razão, ainda não o havia feito. Que bom que mudei! Mas a primeira imagem que me vem a cabeça ao ouvir este ditado é aquela clássica reportagem a respeito do morto, falando só maravilhas do tal cidadão que agora rest in peace! Minha visitinha relâmpago ao Brasil foi assim, só alegria! Highlights do final de semana:
- No restaurante na sexta-feira, no ritual que batizamos de almocinho feliz, penso em que “trago” beber. Juro que a palavra que me veio a mente foi esta. Visualizo rapidamente, dry martinis, margueritas, gin tônicas, quando paro e me dou conta do óbvio, UMA CAIPIRINHA!!! E como estávamos num daqueles restaurants que quando você pergunta do que tem, o garçom desenrola o rosário, escolhi fácil: de caju.
- Revi amigos queridos, atualizamos as fofocas, ouvi comentários de “tá magrinha, tá branquinha”, váaaaaarias vezes….e pena que não deu pra ver todo mundo.
- No final do dia, vejo na “minha mesa” uma pilha de revistas, detalhe de um cuidado muito especial.

- Já com o pé na porta pra ir embora da firma, escuto aquela voz rouca falando “acarajé”, e nesse momento minha barriga encosta-se automaticamente nas minhas costas. Super plano de ação armado e dali a uns minutos estamos sentados no bar da agência comendo essa maravilha, tomando uma cervejinha e jogando conversa fora.
- Voei pro aniversário da Sogra, e ali mais risadas naquela roda boa de família.
- Sábado cedo, cafezão da manhã na padoca e vambora pra praia.
- Vento, céu nublado e forças reunidas pra encarar um mergulho, mas valeu, foi daqueles de lavar a alma. Aí depois foi só relaxar folheando as revistas, tomando uma cerva, brincando com o Vini…
- Fomos almoçar tarde, e aí a anunciada feijoada já tinha acabado, mas tudo bem, isso inspirou o Bá a fazê-la no domingo.
Ai, ai! Continuo branquinha pois o sol não deu mesmo as caras. Agora, o magrinha deve ter sofrido algum impacto! Fala se não é mesmo pra se sentir muito querida!!! Bjo gigante, saudades já e “nos vemos pronto!”

sábado, 13 de setembro de 2008

LINK

Queridões,
vejam aí no lado direito da tela um "pode clicar" com o link pro blog do Andreas. Recomendo a visita, eu ri muito com ele. Além de comentar sobre as diferenças de viver por lá, o Andreas faz um super tour de viagens e ainda conta coisas da propaganda. E uma vez no blog dele, vocês podem acessar mais links e seguir a corrente de brazucas pelo mundo. Enjoy!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Tropa de Elite

acaba de chegar na video-locadora 6 fitas de Tropa de Elite. Eu disse 6iiiiissssss!!!!!! Um montão!!! Até parei pra contar e a estatística é a seguinte: filme comercialzão, de 12 a 16 frentes de fita. I'm Legend, uma puta produção, tem 8 fitas e Michel Claiton, que abrange a categoria cabeça + mulheres que querem ver o Clooney, tem 6 também.
Ponto pra Tropa de Elite!!

domingo, 7 de setembro de 2008

A REUNIÃO DE CONDOMíNIO


Faz pelo menos dois meses que uma coisa me diverte muito. Todas as quartas-feiras, impreterivelmente, chego em casa e lá está aquela rodinha de sapinhos reunidos no hall de entrada do prédio: trata-se da reunião de condomínio. Eu entro, passo por eles comprimentando-os apenas com uma sutil inclinação de cabeça, expressando os meus mais sinceros votos de suerte. O porteiro me olha com uma cara “pícara”, pois também já incorporou na sua rotina o nosso day after, quando rimos muito comentando as não-decisões tomadas. O assunto quente da reunião é sempre o horário de desligar a calefação, rs! Isso porque nosso prédio sofre da máxima “com o bônus vem o ônus”: o ap é lindo, o pé direito alto, o piso bacana, mas o sistema de calefação também acompanha toda essa nostalgia com um caldeirão a base de água que precisa constante monitoramento. E aí, pra fazer a história mais curta, obviamente não se chega a um acordo para pagar mais pro porteiro ficar até mais tarde, nem pra pagar um adicional pra outra pessoa passar a madrugada vigiando a caldeira. Estamos em setembro, o inverno está pelas últimas, e nada vai se resolver…. Eu sigo rindo porque nunca senti frio dentro de casa, e porque tenho pensamentos fantásticos sobre a caldeira. Imagino uma coisa meio Sweeney Todd, onde todos os sapinhos vão ficando defumados com o vapor da caldeira!

SAINDO DA GARAGEM


Todo santo dia quando saio da garagem é a mesma coisa: ou os pedrestres ficam putos comigo porque meu carro bloqueia a passagem da calçada, ou eu fico puta com os motoristas que não me dão a vez para sair a rua de jeito nenhum. Os pedestres que passam não desviam simplesmente pelo cantinho que eu, de muito bom coração, tento deixar livre para eles. Os caras passam me fritando com os olhos, fazendo caras e bocas e não raras vezes tem hermano que vem na minha janela pra me dizer palavras de “sabedoria”. Se você estiver a fim de começar o dia com a pá virada, aí estão os estímulos necessários…..mas como ando uma sapinha muito zen, observo tais ações sem mostrar reações, como parte dos meus aprendizados antropológicos ……. Namaste!!!!

domingo, 31 de agosto de 2008

100% CIAN


O céu aqui 90% das vezes é azul, azul…céu de brigadeiro. Mesmo nos dias de um frio do cão , o céu e o sol, que eu chamava de “só cenário” estavam, na maioria das vezes, esplendorosos. Isso aliás acho que ajudou muito a suportar o inverno. Não é aquela coisa cinzenta, nem chuvosa. Olho o clima quase que diariamente em 6 lugares: Buenos Aires, pra saber com que roupa ir trabalhar; São Paulo, porque sabendo o clima me dá a sensação de estar mais perto quando eu falo com as pessoas; Rio, pra sentir inveja mesmo e ter alguma esperança de ir pra lá; NY, pra imaginar o povo morrendo de calor agora; Londres pra confirmar as estatísticas que o sol dá a cara por lá raramente e pra saber o que rola com meus amigos expatriados. E recentemente incluí a Cidade do México, pois também falo com expatriados lá – aliás como chove atualmente!!!! Então tá, tudo azul por aqui…depois escrevo mais…preciso me inspirar para fazer um post bem de meninas comentando a semana de moda de Buenos Aires, e dando dica de algumas lojinhas. As vitrines já com as coleções de verão me dão outro ânimo também.

CANTINHO BRAZUCA


É verdade que aos poucos vamos ficando cada vez mais “de cócoras” e nos habituando aos costumes e incorporando rituais locais na nossa rotina. Mas vale dizer que quando a gente está morando fora o amor ao nosso país aumenta também. A prova é o “nick” de um amigo no facebook esta semana que dizia “no central park, ouvindo Baden Powell”. Essa foto aí ao lado é de um cantinho bem brazuca que fiz no nosso Ap, que no geral é bem mais argentino do que brasileiro, pois comprei os móveis aqui e a decoração ficou com ares dos 50s e 60s. Agora, como boa nordestina que sou, carrego comigo hábitos brasileirerrímos, como o de valorizar uma boa rede. Engraçado também que alguns argentinos já perceberam que uso roupa clara nas sextas-feiras. E não raras vezes rola um duelo de um sambinha com o tango do vizinho….”E ai d’eu sodade!” Ps. pra quem tiver de mudança, a dica é fazer a conta entre trazer as coisas do Brasil ou comprar aqui. Eu comprei o móveis e eletrodomésticos aqui e a cada viagem antes da mudança final ia trazendo caixas com “coisinhas” e roupas.

179.999.999


Manhã típica de domingo na Argentina: acordamos tarde, tomamos um cafezinho básico e levamos o Bono, nosso cão, passear na praça, onde o Vini aproveita para praticar suas pedaladas de bicicleta sem rodinhas (o que é absolutamente priceless). Na volta pra casa paramos na banquinha, compramos o jornal e um gibi, mais adiante paramos de novo, agora pra comprar um ramalhete de flores e já na esquina de casa sentamos num café pra tomar uma vitamina, comer uma media luna, tomar mais um cafezinho expresso...e ficamos um tempo ali. Eu folheando o jornal, e o Vini o seu gibi. Vamos comendo e jogando conversa fora, planejando o resto do dia. O Bono também se senta ao pé da mesa e ficamos os três ali, relaxando… O Vini adora este hábito, cada dia o vejo mais hermanito. Acho que perdemos o Vini!!! Somos agora 179.999.999 brasileiros!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

PAIXÃO NACIONAL



Okay, hoje foi foda perder de 3 x 0 pra Argentina, fiquei muito puta….mas no final das contas acho que eles mereceram a vitória.
Os Argentinos estão de bem com o time, não há críticas aos jogadores, nem ao técnico, estão realmente SUPER de bem com o time. Rola respeito, admiração e por isso uma torcida que está de alma leve.
Já nós brasileiros torcemos porque é mais forte do que nós, embora tenhamos mil críticas que vamos escondendo debaixo do tapete contando com nossa esperança e otimismo injustificados. Até que no pós jogo queremos matar, de novo, o Dunga…e assim segue nossa sina de penta campeões.
Por estas e outras decidi que na final serei uma boa brasileira e vou torcer pela Argentina, vou assistir o jogo com o Vinão*, meu “casi argentino perfecto” , e fazer ele entender que já que o Brasil perdeu, nossa torcida agora vai pra Argentina. Sei que o Brasil todo vai se dizer nigeriano desde criançinha, mas vou resistir bravamente a esta babaquice e reconhecer o valor de quem, como nós, bate um bolão.
Quando vi pela primeira vez este outdoor aí da foto ao lado, pensei na hora: “cosa de los muy creídos”, mas depois de hoje entendo melhor este anúncio e quer saber: si, vamos por el oro!!!
Ps> *estes são meus planos se o Bá não me vetar, pois a última palavra em futebol é dele, né, fazer o quê!

domingo, 17 de agosto de 2008

FERIADO "al pedo"


Uma grande perda em trocar São Paulo por Buenos Aires foi o saldo de feriados. Aqui tem bem menos feriados do que em São Paulo, sem falar na nossa boa “ponte” que aqui não rola de jeito nenhum.
Mas esta semana fui supreendida pelo feriado da morte de San Martin, que é dia 17 de agosto, ou seja, domingo. Mas o feriado foi passado pra segunda-feira. Isso mesmo: um feriado que naturalmente caiu num dia de domingo foi passado pra segunda seguinte. Por esta eu não esperava! Logo os hermanos que criticam um monte o nosso hábito das pontes…
Querida Cristina, pelamordedeus, liga pro seu amigo Lula e sugere a ele passar o 7 de setembro pra segunda-feira também? Mientras tanto mañana estaré al pedo en un dia de feriado que no me sirve para mucho……

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

CONTRA O TÉDIO

Acho que nunca me senti tão entendiada num lugar. Em espanhol se diz “aburrida”. Não entendam mal, adoro morar em Buenos Aires, mas de alguma maneira até as coisas boas, como a melhora geral na qualidade de vida, acabam contribuindo pro meu aburrimiento.
Pra começar, no trabalho fico numa sala enorme e fechada, interajo com meia dúzia de gatos pingados, não tem aquela energia de viver uma agência a mil, pois a agência aqui tem muitos andares em vez de poucos com os espaços abertos e muita gente junta interagindo. Então, mesmo quando estou com “douuuze jobs” o ritmo aqui acontece de maneira bem diferente do sobe e desce escadas da agência em São Paulo, sem falar no direito sagraaaado de dar aquela paradinha estratégica no boxe (quem trabalha lá sabe bem do que estou falando).
Outro fator de aburrimiento é ter tudo perto e acessível demais. Por incrível que pareça toda esta facilidade aburre mais que o sossego da Granja Viana. O tempo rende mais, não precisa estudar uma logística, pegar trânsito, estar sempre chegando e saido esbaforida…..
Okay, a esta altura já deve ter gente achando que eu estou chorando de barriga cheia, e espero que tenha também alguma parcela mais caridosa morrendo de dó de mim. Mas pra estes digo que tudo bem, acabo me virando, até já implementei algumas armas pra quebrar o tédio, vejam só:
Fazer amigos, (de novo?): claro que sigo sem conseguir, mas os intentos me divertem muito. Superado o trauma da mãe de amiguinho da escola, história esta que só posso contar pessoalmente, a bola da vez é a minha professora de espanhol. Dou muita risada com ela, um tipo meio bruxa, meio louca, meio astróloga. Ou seja, a aula de espanhol ficou muito engraçada e já tenho minha amiga pra papos cabeças com hora marcada e tudo.
Cineminha: ontem fui ver Batman (um filmaço), sempre gostei de ir ao cinema sozinha. Até melhor que era Batman, pois não consegui ir sozinha ver Sex and the City, achei que ia me deprimir…..aliás, já fico meio grilada quando vou ao cinema com o Vini e vejo uns pais “solteiros” me olhando e tenho que posicionar a aliança estrategicamente pra deixar claro que não sou desta comunidade de pais separados que aproveitam pra chamullar/chavecar enquanto levam as suas crias ao cinema.
Sessões de dança e vinho: devo estar ouvindo mais música do que nunca, aumento o som e entre um gole e outro danço felizona.
O blog: terapia baratinha, que andei meio de bode dele também por falta de novidades…mas já passou!!!
E claro, as visitas do meu marido caixeiro viajante que, além de cozinhar pra mim, faz qualquer uma destas coisas ficar mil vezes melhor.

domingo, 10 de agosto de 2008

O TROCO


As moedinhas aqui são bastante usadas. Medidas como o ônibus apenas aceitar moedas, fazem que as moedinhas circulem e não fiquem esquecidas em gavetas ou enchendo um potinho qualquer em algum canto da casa. Dizem até que tem um mercado negro de troca de moedas onde você entrega uma nota de 10 pesos e recebe 9 em moedas.
Todos os lugares dão o troco exato, nada de arredondar.
Agora, o mais interessante é que o troco aqui é problema de quem compra e não de quem recebe. Se você pegar um taxi e apresentar uma nota de 100 pesos pra uma corrida que não chega a 20 pesos, seguramente o taxista além de te dar uma bronca não vai sair do lugar pra ir trocar a grana. Você que desça e trate de conseguir o troco.
Estes dias na fila da farmácia, onde tem um caixa chamado "pago fácil" que recebe contas de água, luz, telefone, etc....a moça do caixa grita pra fila: "a partir de agora só recebo de quem tiver o valor exato da conta, não tenho mais troco". Os pobres velhinhos que estavam ali há pelo menos uns bons 20 minutos se olharam desesperados e começou um movimento de um ajudar o outro a trocar a grana, mas ainda assim teve quem saiu da fila bem puto.....adivinha quem?

domingo, 27 de julho de 2008

FRUTA FORA DE ÉPOCA


Juro que não sou obcecada por frutas, sei que vocês já não me suportam mais reclamando desse assunto, mas só vou contar essa história porque foi um daqueles episódios trágicos se não fossem cômicos e vice-versa. Lá estou eu na seção de frutas do supermercado, no carrinho o kit básico: laranja, maçã, banana, e a bola da vez que é a mexirica, quando vejo uma cesta com pêssegos lindos, lindos. Que alegria, uma frutinha que é bem boa por aqui. Lá vou eu felizona com minha aquisição pra fila da balança, passo meu saquinho com 3 pêssegos para o camarada que pesa as frutas e ele me perguntou com os olhos arregalados se eu tinha visto o preço. Eu, que estava bem distraída, respondi sem pensar que sim, embora isso fosse a mais absoluta mentira. No meio segundo que tive pra pensar em quanto seria o pessêgo o camarada, não satisfeito com a minha resposta, emendou “son 29 pesos el kilo”. Eu fiz uma cara bem blasé, já sem poder articular nenhuma palavra. E ele, por sua vez, segurou o olhar fixo no meu e ainda deu aquela paradinha antes que seus dedos tocassem o marcador da balança pra fazer a etiqueta de preço. Eu recebi o saquinho sai segurando a pose. Depois de chegar num corredor bem longe das frutas peguei o saquinho e pude conferir que aqueles 3 pêssegos custavam 17 pesos, caralho!!!! Com aquele saquinho me fazendo pressão dentro do carrinho, passei na gôndola de vinhos pra tentar pensar em algo mais agradável. Pedi recomendação de um bom vinho custo/benefício e a somellier me recomendou um UXMAL, cabernet suavignon com malbec, que dá uma arredondada no sabor final, ao preço de 23 pesos. Mas não teve jeito, cheguei em casa mais afim de comentar sobre o pêssego do que sobre o vinho. Fiquei na dúvida se o cara me advertiu do preço simplesmente pra não imprimir o ticket da balança a toa e ter que cancelar ali na hora se eu me desse conta do absurdo que custava. Ou se ele estava mesmo criticando minha atitude de compar uma coisa tão cara em tempos que o mar não está pra peixe. Enfim, isso é que dá querer comer fruta fora de sua temporada…..

ENQUANTO A CRISTINA NÃO GOVERNA….


O vice-presidente toma proveito do seu voto de minerva no senado contra a presidenta em relação ao aumento da taxa de exportação para produtos agro-pecuários, e o país segue sem andar. Não adianta a Cristina falar que o ato dele foi uma traição ao Peronismo, pois faz quase 6 meses que o assunto não conseguiu avançar em negociações amigáveis e, depois do povo bater muita panela na rua, deu no que deu. Aliás é muito argentino o impasse nas negociações. Se os dois lados se acham com a razão, ficam ali empacados por muito tempo. E enquanto o governo empaca, a inflação come solta. Na maioria das vezes, eu tenho apenas uma noção do preço das coisas, que sei o preço médio, mas que nem sempre identifico no detalhe o que foi exatamente que subiu, embora veja claramente o resultado dos aumentos na minha conta final do supermercado, fui impactada por um aumento há duas semanas: o sorvete de casquinha do Mc Donal’s subiu de 2 para 2,5 pesos. Puxa vida, 25%, é muita grana.
Se pensarmos a sério, as perpectivas para o jovem nesse país estão de mal a pior. Um recém formado com sorte ganha 2 mil pesos, com um pouco mais de experiência deve ganhar entre 4 e 5 mil, enquanto um apartamento de 2 quartos num lugar razoável é US$ 100 mil. Se esse jovem não morar com os seus “viejos” (nome carinhoso para referir-se aos pais) e ainda tiver que pagar aluguel e todas demais despesas, realmente fica complicado fazer o pé de meia.
Ainda assim, acho que os argentinos vêm de um toada de país tão complicado que acabam achando esse momento de agora menos dramático. Afinal a crise de 2001 foi muito pior. Numa sessão revival, comentou-se sobre os cidadãos de classe média que entravam nas lojas junto com os salteadores “profissionais” , tomando proveito do arrastão que faziam estes mais desesperados. E que tinha gente que na hora H não levava o leite e a farinha não, e sim roubavam garrafas de champagne e aparelhos de dvd. E passada a crise o dono do estabelecimento batia na casa do camarada junto com a polícia para devolver as coisas, pois eram vizinhos conhecidos do bairro que participaram de tal barbárie. Tenho a impressão que por todo esse histórico o argentino hoje leva a vida bem no presente, aproveita o momento com os recursos que tem. Quem não tem mais grana pra curtir hábitos caros, acabou adaptando seu lazer para opções mais econômocas. Não vejo os argentinos se queixando. E nesse caso, nem acho que é porque eles não caem do salto não, acho que é por acreditarem mesmo em qualidade de vida e assim desfrutar o agora…. Racuma matata!

ENQUETE COM AS VISITAS

Fiz uma enquete com minhas visitas pra saber o que elas estavam achando de Buenos Aires.
A opinião unânime é que a cidade é mesmo muito linda e gostosa pra caminhar. As calçadas são amplas e as pessoas se sentem num lugar menos cheio de gente, muito mais prazerozo.
Críticas ao sabor do café, que aqui é moido com açúcar, e a falta de opção de sucos. E também reclamações sobre a falta de sal nas comidas, que aliás, de tudo que eu já reclamei dos hábitos alimentares daqui, essa observação da comida insossa tinha me passado batido, mas realmente procede. Aproveitemos pró pressão baixa e colesterol bom.
Outra coisa que eu nem tinha sentido falta ainda até meu irmão falar: “onde comemos um super hamburguer, tipo o do Fifths ou o do Joaquim’s?”. Na hora me deu aquela água na boca, mas a verdade é que não tem nada que chegue nem perto disso por aqui. Os váaaarios cafés da cidade vendem empanadas, tostados, medias lunas….e quando tem hamburguer é aquela coisinha sem graça que vem com os pacotinhos de maionese, ketchup e mostarda à parte. Aquela super maionese preparada especial, como no Fifths, nem pensar. Tenho a impressão de que em tudo o que dá muito trabalho pra fazer ou pra guardar depois os hermanos optam pela linha da simplificação. Pra não ser totalmente injusta, especialmente agora que sei que alguns argentinos me descubriram e lêem o blog de vez em quando, tem alguns lugares bacanas que servem brunch com sanduiches descolados, como o Oui Oui (rua Nicarágua, 668, palermo hollywood), mas ai entram numa categoria diferente do bom hamburgão.
Outra observação interessante de uma amiga musicista: a música brasileira mais mencionada aqui é a bossa nova. Quase ninguém refere-se ao Samba. Sabe que realmente quase nunca escuto por aqui um sambão ou um axé? Os hermanos têm realmente muito bom gosto pra escolher a nossa MPB, pois acho que brega por brega, eles ficam com o som local, afinal um bom brega pede raízes locais. Nos táxis escuto cada rima, cada melodia que tenho vontade de saltar na hora.

Ah, e teve tabém quem trocou Real por nota falsa de Pesos em casa de câmbio.

No final das contas, fora esses comentários pontuais, que vale dizer que foram respostas estimuladas, é muito bom ser turista num lugar. Seus olhos se voltam para o lindo, você quer aproveitar ao máximo, conhecer o filé mignon do lugar e ter stress zero. É justo!

BARILOCHE


O olhar com lentes de turista é extremamente relaxante. E não sendo exceção a regra, foi assim que olhei Bariloche.
A paissagem é de tirar o fôlego. O lago dá um charme todo especial para as montanhas.
Tivemos a sorte de ver a neve caindo. Pra quem não sabe, mesmo no alto inverno, lá costuma nevar a cada 15 dias. As crianças se esbaldaram na neve…..e nós adultos tomamos muito vinho, comemos todas as calorias que um bom inverno pede e, claro, fizemos comprinhas. Acho que os 4 C’s do turista são: contemplar, comer, comprar e comentar. E isso é bom demais.


Pontualmente algumas dicas
- O restaurante El rincon Patagônico tem um cordeiro (pra quem gosta) de comer rezando. Pelo menos foi essa a cara do meu marido e da minha amiga.

- Já o restaurante Cesares do famoso hotel Llao Llao, deixou muito a desejar. Os garçons, usando luvas, revelam seu prato, que chega coberto com uma tampa de inox, na hora, mas já na primeira garfada a descoberta é de uma comida apenas OKAY. Muita pompa pra gerar expectativa com direito a alguns decorados (bem bregas, não!) de “espumas” na comida, mas a entrega final decepcionou. E conta vem bem carinha, viu.

- A escola Xtreme (no Cerro Catedral) de aluguel de equipamentos de sky e snow é muito boa. Tudo é bem novinho e os professores são bem gente boa.

- O passeio de bondinho, no Cerro Otto, é bem bacana também. Quem fica meio aflito como eu ao ganhar altura pendurado naqueles cabos de aço perde o fôlego duas vezes: pelo medo e pelo visual incrivelmente lindo.

- Na rua das comprinhas no centro, Bartolomeu Mitre, entre as muitas opções de chocotales caseiros, tem uma lojinha chamada Mamuska, onde só as embalagens fofíssimas de bonequinhas russas valem o regalito.

Em tempo: o frio acaba sendo bem menos grave do que a gente imagina. Primeiro porque a gente se prepara com roupas apropriadas, sem lugar para o improviso. Meias e calça térmicas, botas impermeáveis e um bom casaco resolvem bem a parada. E segundo porque como você vai pra se divertir, já fica mais predisposoto a agüentar. O frio no rosto e a fumaçinha saindo pela boca fazem parte das atrações. E por fim, o sobe e desce o morro com o snow esquenta…. e muito.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

I'M BACK

Queridões,

sinto muito em desapontar meus queridos leitores, me desculpem o chá de sumiço, mas o trampo andou a mil esses dias. E como julho é mês de férias, a casa esteve, e ainda está, movimentada com vistas, tive até que fazer uma agenda de entradas e saídas pra não dar overbook. E como boa hostess que sou, não fico na Internet escrevendo, pois quero desfrutar de minhas visitas ao máximo; como vocês bem sabem, meu problema de amigos locais segue vigente.
Tenho sim algumas histórias novas para contar:
- o cenário político que sei que foi destaque na imprensa do Brasil, com direito a frase do Lula na revista Veja, eca!!!!
- a viagem que fizemos para Bariloche, um verdadeiro “Brasiloche”,
...mas que acho que já ando realmente bem "de cócoras", viu! A cada dia menos coisas aqui me causam estranhamento. E em relação as coisas que acho o fim da picada, de alguma maneira já estou vacinada, ainda que conceitualmente nunca estarei de acordo com elas. Hoje mesmo na fila de imigração do aeroporto a policial Argentina saiu aos berros com os turistas, que por engano, pegaram a fila de cidadãos argentinos. Puxa vida, né!, custava orientar com mais educação? Afinal os turistas enchem o bolso deles de plata e receber um passa fora logo ali na porta de entrada do país, é um péssimo marketing (se pensarmos na famosa primeira impressão). Mesmo que alguém tenha pegado a fila menor por má fé mesmo, seria uma boa oportunidade para retribuir com gentileza, para dar um tapinha de luva. Mas não, a mulher saiu aos gritos expulsando os não argentinos da fila como se fossem cachorros pulguentos.
Ainda assim a vida é bela em Buenos Aires. Sábado passado queria ter podido tirar uma foto para enviar pra vocês, na seguinte cena: andando na rua, segurando o cachorro na coleira de um lado e com o jornal e um ramalhete de flores na outra. Alguns devem estar se perguntando o que de tão especial tem isso, deve ter muita gente que sai com o cachorro pra dar uma voltinha, ou quem vai a banca comprar o jornal. Mas todo o kit e cenário me fizeram sentir re-portenha!

Logo mais escrevo os “causos” prometidos, preciso ir agora que chegaram minhas visitas, eba!!!
Um beijo gigante

quarta-feira, 25 de junho de 2008

ESPECIAL SAPOS 3 / TENTANDO GOSTAR DA MÚSICA


É verdade que ainda não tentei pra valer conhecer e gostar da música argentina (fora os clássicos, lógico), mas o pouco que tentei não me animou muito pra seguir adiante. Gosto de rock, e talvez isso dificulte as coisas, pois encontrar um Jorge Drexler ou uma releitura bacana de um tango nem deve ser difícil, mas achar um bom rock&roll em castelhano, não está rolando. Do que ouvi, os menos ruins, que algumas pessoas descoladas daqui me recomendaram foram BABASONICOS, LOS PIOJOS e LOS VIOLADORES. Quem arrisca uma busca no youtube pra experimentar?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

ESPECIAL SAPOS 2 / NO CHURRASCO


O ritual do churrasco argentino é bem parecido com o brasileiro. Um monte de gente se junta ao redor de um mesão, tem alguém escalado como o churrasqueiro oficial, alguém que dá um help servindo as bebidas, a tábua de aperitivos vai circulando, rola uma música de fundo, ouve-se risadas, o grande objetivo ali é o mesmo também: jogar conversa fora e comer bem. Agora, o que pegou pra mim foi encarar a roda e acompanhar/participar de um “causo”. No geral, ia entendendo bem, mas aí entrava alguma particularidade muito local e me perdia totalmente, me desubicava. Acho que foi a primeira vez que me senti realmente uma “gringa” aqui. Claro que passaria o mesmo com um argentino em uma roda de piadinhas brasileiras, mas como a gente entende os caras muito mais do que eles entendem a gente, me surprendi com o grau de minha dificuldade. Se eu ficasse bem ligada, concentrada, entendia bem, mas aí não tinha graça, a equação esforço x diversão não valia a pena. Então resolvi aproveitar a cervejinha, …..fazer o que, né!?

ESPECIAL SAPOS 1 / NA FESTINHA INFANTIL


Nem sinal de um super buffet infantil cheio de brinquedos eletrônicos. A festinha aqui parece uma visita na casa daquela avó que segue nos anos setenta: tem teatrinho de fantoche, uma mesa simples com o bolo, aliás só o bolo, sem aquele monte de docinhos e salgadinhos... do outro lado um espaço com capas de super herói. Isso mesmo, não é a fantasia inteira, são só as capas. E dentro desse lugar, meio apertadinho sem mesas nem cadeiras e sem os pais da garotada tomando uma cerva, as crianças correm e se divertem igual. Isso no final das contas é o mais legal. O Vini voltou da festinha feliz, não fez nenhum comentário criticando nada, se divertiu muito.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

FIM DE PARTIDA!

Menos mal, zero a zero! não vou zoar ninguém amanhã, mas ninguém vai me zoar também.
Então pra dar risada, seguem comentários do amigo locutor argentino:

“Se levantan los simpatizantes brasileros” . Qual era o problema de chamar de torcida/hinchas? Fala sério amigo locutor argentino, a torcida/los hinchas do Brasil começam a cantar em alto e bom som “sou brasileiro, com muito orgulho, de coração…”, e o senhor só manda um SIMPATIZANTES?!, tenha dó, viu!

“el resultado incierto hasta ahora deja el partido más entretenido”
Os caras aqui são bons locutores, viu! Fazem uns comentários menos mala que aquele nosso amigo locutor plin, plin, de quem eu tenho zero saudades!!!

“es el classico más importante del mundo” – os argentinos, como já sabemos, são mesmo “muy creídos”, mas obrigada pela parte que nos toca.

E o texto da vitória já estava pronto:
Cerveja Quilmes – 3 pesos
Empanadas – 12 pesos
Estar em Buenos Aires assistindo Brasil x Argentina e soltar um GOL BRASIL – não tem preço.
.....mas beleza, fica aqui na garganta, ......fica pra próxima!

TOP 5 – things I hate the most


Aqui a coisa é mais simples:
1. a programação de cinema
2. algumas comidas: a salsicha, o café e a pouca opção de fruta
3. a unha mal feita
4. os donos de cachorro que não juntam o cocô
5. os taxis que andam em duas faixas e param do nada em pleno meio da rua pra pegar um passageiro.

A listinha do Bá, com exceção feita a unha mal feita, é bem igual. Arriscaria que ele trocaria isso pela dificuldade de conseguir sua carne "jugosa". Acertei?

ps. será que é assim que se escreve exceção? isso me faz lembrar de outra coisa que odeio: me confundo muito pra escrever algumas palavras em português, especialmente se usam ss ou ç.

TOP 5 – things I like the most


Quando assisti ao filme High Fidelity, já há cerca de uns 7 anos, fiquei com a mania de fazer TOP 5 das coisas. Numa viagem sempre rola a listinha. Quando conheço um gringo adoro perguntar o top 5 dele sobre o lugar. Então não poderia deixar de fazer o top 5 da vida portenha, lá vai:

1. A CIDADE É LINDA: faz bem aos olhos e ao espírito caminhar por Buenos Aires.
2. OS HÁBITOS DA CIDADE: Andar muito a pé. Ver a vida passar sentada numa mesinha de calçada de um dos muitos coffee shops ou relaxar tomando um sorvete. Os quiosques de venda de flores nas esquinas, as frutarias, as praças, tudo isso dá um charme especial para a cidade. E também acaba deixando Buenos Aires mais linda, além da arquitetura.
3. CARNE E VINHO: sei que esse é chover no molhado, mas realmente não tem como deixar de citar.
4. TRÂNSITO: ainda muito menos caótico do que em São Paulo. A onda de semáforos verdes realmente funciona, é uma maravilha.
5. A CALEFAÇÃO: como friorenta que sou, a calefação é a minha melhor imagem do paraíso aqui! É uma coisa realmente muito civilizada.

Os Top 5 do Bá são muito melhores que os meus. Dei muita risada com a listinha dele, pois quem conhece o gênio pode imaginar a cara dele falando do alto de sua sabedoria: 1) a cidadania, 2) a qualidade do transporte público, 3) ver o horizonte, a margem do rio, ….aí estava tudo papo cabeça demais quando ele mandou o resto da lista, 4) a Stela de 1 litro, para regar o seu top 5): a paixão pelo futebol. Boa, amor!!

FALTAM 50 MINUTOS PARA BRASIL X ARGENTINA

Em poucos minutos começará a partida! Será que vou ouvir os gritos entusiasmados dos argentinos ou vou poder soltar uma GOLLL BRASIL pra deixar a multidão ao meu redor bem puta da vida?!
Claro que pra quem saiu de um jogo desastre com o Paraguay no último domingo não estamos com a bola toda pra cantar vitória. Mas como boa brasileira, há esperança! VAI BRASILLLLL!
Os argentinos hoje foram bem pianinhos comigo, dizeram que o Brasil sempre ganha deles, que o Brasil mesmo quando está mal na fase classificatória depois vira.....okay, os caras não ficaram cantando vitória, realmente respeitam nosso futebol, mas vi no fundo do olho de cada um deles o sangue de quem está louco pra ganhar.
VAI BRASILLL!!! Ver esse jogo aqui tem um gosto diferente. Dá mesmo vontade de parar pra assistir.
Queria muito contar sobre essa expectativa antes do jogo e vamos ver o post que virá na sequência.....suerte!!!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

SACOLEIRO

Em visitinha rápida ao Brasil tratei de na volta parar no freeshop e trazer uns pacotes de café e uma garrafinha de cachaça. Até aí tudo bem, mimos pra matar as saudades do Brasil e não largar mão de hábitos construídos ao longo de uma estrada muito boa. Olhei as Havaianas, mas as minhas ainda aguentam mais um tempinho e guardei esse outro gostinho de Brasil pra próxima visita.
Até aí tudo bem. Corta.
Bá Assumpção também voltando do Brasil essa semana abre sua mochila e saca dali não uma sacolinha do freeshop, mas sim uns pacotes do Pão de Açúcar com paio, farinha de mandioca e mais café. Foi muito engraçado, a cena bem cafona, mas estou feliz da vida porque o meu saboroso bife de chorizo hoje foi acompanhado de feijão com paio e farofinha de ovo. Tô no céu!!!

O ÚLTIMO CAPÍTULO

São 23hs de segunda-feira e acabo de desligar a televisão.
Estava assistindo o último capítulo da novela das 20hs, Duas Caras. Isso mesmo, segunda feira!! não escrevi errado não. Aqui a novela passa um dia depois e 1 h mais tarde. Tive que me segurar pra não ligar pro Brasil e perguntar que raios acontecia pra poder ter o gostinho do capítulo final, mas sensação de "demorou" ficou comigo o tempo todo. Hoje o Brasil inteiro está comentando sobre a estréia da nova novela e eu ainda estou aqui refletindo sobre que moda é essa da Globo fazer vilão terminar se dando bem e vivendo em Paris. A primeira vez que o fizeram foi bem original, mas ficar repetindo a fórmula é dose, viu!!
Amanhã estarei a postos pra ver o atrasado primeiro capítulo da nova novela, arrrghhhh!!!!

sábado, 24 de maio de 2008

CURTAS

O preço médio de um CD aqui são 30 pesos. Em número absoluto deve ser o que custa no Brasil também, mas se converter deve valer a pena comprar aqui.

Acho que muita gente sabe que em Buenos Aires tem mais livrarias que no Brasil inteiro. É realmente muito legal se deparar com uma livraria a quase toda esquina.

Ir a pé no melhor restaurante de frutos do mar de Buenos Aires -Oviedo, calle Beiruti – não tem preço.

De um motorista de táxi uruguaio que vive há 34 anos em Buenos Aires: “Los argentinos son muy creídos”. Adorei essa expressão para referir-se ao excesso de auto-confiança dos hermanos.

O TICKET DO ESTACIONAMENTO


Ficamos no shooping só 5 minutos, então na hora de sair do estacionamento veio aquela dúvida: será que precisa pagar o ticket ou tem tolerância de 20 minutos como em São Paulo? Arriscamos e fomos em direção da saída contando com a tolerância, pois parecia bastante razoável isso ser igual em todas as partes. Quando fomos chegando perto da catraca, olhei pro Bá e disse “se não tiver tolerância, ao menos vai dar blog”. Bem, aqui estou comentando o assunto, pois dito e feito, não tem tolerância, paga-se o mínimo de 30 minutos.

DOCE DE LEITE

Por aqui mesmo o doce ruim é bom. Mas depois de um tempinho você até já sabe classificar melhor. Aquele Salamandra, que vende no freeshop, é bom, meio forte no final, de tão doce amarra na garganta. Ai descobri um doce mais gourmet que é vendido na Sorveteria Freddo. Esse tem sabor delicado, delicioso e sai 10 pesos o pote de 250 gramas. No dia a dia, compro o doce da Serenissima, que vende em pote plastico e fica na gôndola dos refrigerados, igual iogurte, que por só 3,50 pesos, é delicioso.

NO CINEMA


Os filmes aqui demoram mais a estrear do que em São Paulo.
Aquele filme com o Judie Law e a Nora Jones tinha estréia aqui finalmente prometida para quinta passada, depois de já estar em cartaz há mais um mês em São Paulo. Fui toda faceira ao cinema e chegando lá a estréia havia sido adiada para a outra semana.
Outro dia fomos assistir um filme argentino. Me surprendeu o Bá querer assistir o filme, pois no Brasil ele se recusa ir ao cinema pra ver filme nacional. O critério dele aqui não foi mantido e lá entramos nós na sala que estava quase vazia. E quando digo quase vazia, é quase vazia mesmo, estavam aí apenas mais 2 casais. O Bá jura que o filme era bem recomendado, que estava vazio porque já estava há 5 semanas em cartaz. Não sei não, fiquei achando que tem muito argentino como o Bá que não adere ao cinema nacional.

NO BANCO

Nos 3 primeiros meses aqui, quando ainda não tinha documento argentino de identidade, eu era obrigada a ir ao banco todos os meses descontar o cheque do meu salário. Era uma penitência, pois chegava no banco e pegava a senha 260 e olhava o marcador eletrônico marcando ainda 122. No Brasil quase não ia em banco, talvez se tivesse que ir ao banco ia tomar um chá de cadeira igual, então acabava me conformando. Ficava mais puta por não poder usar o celular dentro do banco (é proibido) do que com a fila em si.
No dia que chegou meu documento de identidade comemorei com muita vibração, pois o primeiro benefício que ele me traria seria me livrar da tortura bancária. Ledo engano, não consegui realizar a transferência do aluguel por Internet, pois quando tentei pedia o número da conta do destinatário, o CUIT (tipo um CPF), e ainda um tal de CBU, um outro número, de 22 dígitos. Tive que ir ao banco pra saber qual era. No mês seguinte, com o tal número gigante em mãos pensei que daquela vez não tinha erro!! E ao tentar transferir a grana, me deparei com a barreira de que pela Internet só podia transferir a quantia máxima de 1000 pesos. Lá vou eu ao banco outra vez, fazer transferência na boca do caixa pra poder enviar um valor maior que o permitido via internet. Pedi a transação, informei o número gigante, a resposta do caixa foi afirmativa, fiquei feliz. Aí quando fui confirmar se entrava a noite na conta da outra pessoa, a resposta do caixa, com cara de espanto, foi NÃO, só entraria na conta de destino em mais 3 dias, pois passaria pelo banco central. Que saudades do DOC e da TED.

EL ACTO DE 25 DE MAYO


A escola onde o Vini estuda fez uma peça teatral com as crianças em comemoração ao 25 de mayo, pela revolução. Foi muito legal ver o Vini dizendo a sua fala em alto e bom som, sucesso!! Quem é pai sabe a emoção que é ficar ali esticando o pescoço entre os outros pais e suas respectivas câmeras para ver os 2 minutos de fama do filho. Então imagina isso pensando que seu filho brazuca vai falar em espanhol na frente de todos.
E igualmente emocionante foi, ao início da apresentação, escutar o hino da Argentina e ficar ali em pé olhando a bandeira e vendo todos cantando….. pintou um sentimento de pátria num país estrangeiro ouvindo um hino que não é o da gente… estranho, mas passou, passou!!!

CAMPERAS E CHALECOS

O frio está chegando e as lojas aqui estão repletas de camperas e chalecos. A campera é aquele casacão de nylon ou matelassé com capuz e o chaleco é a mesma coisa sem manga, ou seja, colete.
10 entre 10 argentinas usam. Claro, é muito útil, pois como aqui a maioria dos lugares tem calefação, o casacão vai sobre a roupa e quando se chega num lugar fechado é só tirá-lo para ficar numa boa. Não é como a gente que tem que se encapotar todo porque dentro do escritório faz frio.
Por mais que pareçam todos iguais, existem camperas de mais tradicionais a mais modernas, os detalhes de costuras que deixam mais ou menos feminino, o tecido mais ou menos brilhoso. Preciso comprar uma, sei que vou precisar, mas com tanta opção e adesão não consigo me animar.

terça-feira, 13 de maio de 2008

SUCOS

Quem leu a entrada sobre frutas, vai entender facilmente que a consequência da falta de opções de fruta é a falta de sucos também, embora a coisa seja ainda mais complexa.
Explico: sempre que ia a um restaurante e perguntava que sucos tinha a resposta quase sempre era JUGO DE NARANJA. Isso era bom pra eu praticar a pronúncia e me lembrar das aulas de espanhol no Brasil onde repetia "jarra de jugo de naranja". Algumas raras vezes a resposta era LIMONADA O NARANJA. E muitas vezes a resposta era NO HAY JUGOS.
Passado um tempo, vendo o cardápio em um café, vi escrito ali LIQUADOS, aí me caiu a ficha que talvez os garçons me falavam que não tinha suco, pois conceitualmente para eles suco é só o que se faz espremendo direto da fruta. Muito bem, passei a perguntar se tinha algum suco ou liquado, mas a reposta seguiu mais ou menos na mesma média. Me deparei então com outra verdade: fazer o tal liquado dá trabalho e a maioria dos restaurantes não está disposto a utilizar toda uma área e gerar mais sujeira se as pessoas nem fazem muita questão. Muito mais prático manter garrafas no freezer e só.
Eu odeio refrigerante, não por questões de saúde, simplesmente não gosto do sabor de nenhum deles, acho todos ruins em maior ou menor escala. O Vini consequentemente também sempre foi muito adepto do suco, toma refri final de semana, pois em casa nunca comprei.
Hoje em dia, pra manter o hábito de tomar suco, ensinei a babá do Vini a fazer limonada suíça, coisa que fica até melhor com esse limão mais amarelo que eles usam do que com o limão de caipirinha, e aproveito pra transformar o abacaxi ruim de comer em um bom suco também.
O duro é que o era bem espontâneo hoje virou um ato de disciplina.

FRUTAS e frutas


Semana passada estive no Brasil por 2 dias, e acho que nunca comi tanto mamão em tão pouco tempo: era papaia no café da manhã, suco no almoço, sobremesa no jantar, pedido extra de room service, rs!
Acontece que aqui em Buenos simplesmente NÃO TEM!!! nem mamão mamão mesmo nem papaia, então precisava matar as saudades do meu querido amigo a ponto de me arriscar a fazer mais que só cocô bonitinho, eca!
Nem em lugares mais sofisticados tem, sem chances!! E olha que aqui tem uma frutaria por esquina. Na fachada é aquela coisa bem bonitinha de frutas na porta, mas quando você entra e olha no detalhe só tem banana nanica (isso mesmo, um único tipo de banana), laranja, pomelo (aquela laranja grande com gosto de estragado, mas pra quem quer ser chique chama de grapefruit e beleza), maça tipo papinha de criança (só essa variedade também) e um limão tipo siciliano. O limão verde aqui é chamado de "limão de caipirinha" em nossa homenagem e um kilo custa 27 pesos, coisa que é um roubo seja lá que conversão de moeda você usar.
Pra sair deste kit básico tem as frutas da temporada. Até final de abril tinha pêssego de tudo que era tipo e a preço sim de banana. Mas agora que terminou a época, também não acha mais de jeito nenhum.
Outras frutas tipo abacaxi e manga, quando se encontra não dá pra se animar muito, pois deixa bem a desejar pro paladar de quem cresceu acostumado a comer essas frutas realmente boas.
Mas há esperança, tá chegando a temporada do morango, ebaaaaaaaa!!!!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A MELHOR CARNE NA MÃO DOS PIORES CHURRASQUEIROS – com a palavra Bá Assumpção – convidado especial

Sabe aquele churrasco delicioso, mal passado, que se come em São Paulo em casas argentinas como o 348 e o Pobre Juan? Na Argentina mesmo a história é diferente.
Numa das primeiras churrascarias que fui, pedi um bife de chorizo jugoso (mal passado), e a carne veio além do ponto, praticamente bem passada. Chamei o garçom e perguntei no meu portunhol: señor, jugoso es así? Resposta seca e enfadada: así lo es. E é verdade: asi lo es em quase todas as churrascarias que fomos.
Gado de primeiríssima. Abate aos 12 meses. Pampa plano que não deixa a carne dura, pasto de primeira… aqui os caras vendem carne e couro para o mundo inteiro há mais de 200 anos. Fico imaginando quanta carne maravilhosa os asadores daqui já não transformaram em sola de sapato esturricada. Um crime de lesa braseiro. Uma vez insisti no portunhol e expliquei com clareza: señor, roja por dentro. Os caras não sabem fazer. Veio crua por dentro e cinzinha triste por fora.
Conclusão: os argentinos são muito melhores de boi do que de brasa.