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O Vini tem uma namoradinha argentina. E o namorico vai tão de vento em popa que quando estou ao lado de minha norinha me recolho à minha insignificância de sogra, não fico de chamegos com o Vini porque já saquei um ciuminho, mas ainda assim a mocinha me provoca de vez em quando e me desafia na cara dura: “ no, no, Vini no va ahora. Vini, decile a tu mama que no te vas”. O Vini nisto tudo fica “mareado”, como dizem aqui, e já declarou que duas mulheres querendo dar ordem pra ele, simplesmente não dá.
Faz tempo que não conto dos meus incidentes sobre fazer amigos... Pois bem, finalmente fizemos uma amizade que a cada dia vai ficando mais bacana. Nossos novos amigos são um casal de psicólogos, analistas freudianos. Além de termos muitos gostos em comum, ambos lidamos com muita imaginação e pilotamos diferentes graus de loucura e acho que isso vem dando a liga final na amizade.
Tenho me pegado pensando comigo mesma às vezes em espanhol, e acho que quando divago neste idioma sou diferente de quando viajo na maionese no meu idioma mãe.
Idiomas diferentes, loucuras diferentes, credo, pensei eu.
Contei isso ao Bá com certa vergonha dele me achar doidinha mesmo, mas aí ele me respondeu do alto de sua sabedoria: “amor, isso é uma verdade antropológica: a língua estrutura o pensamento”. Ou estou salva ou vou colocar o chapéu do Napoleão no Bá e comprar a lira do Nero pra mim, e tudo certo!
Pra não ficar no ar e pra não parecer pura babaquice o comentário do post anterior sobre precisar de uma pausa do sotaque argentino, é fato que para um brasileiro ouvir o portenho por horas seguidas cansa muito, imagine então por dias e dias.... No começo eu pensava que ficava cansada por tentar entender o que eles falavam, pois o linguajar do dia a dia com muitas gírias realmente pediam atenção extra. Mas depois vi que era o som, o sotaque que lá pelas tantas me incomodava.
Um dia aqui estava numa reunião destas que duram 4 horas e no fim da reunião o diretor de criação, que era brasileiro, me disse que estava muito cansado. Perguntei se ele preferia ir direto para o hotel ao invés de sairmos jantar, mas ele topou ir tomar um Malbec comigo. Em poucos minutos que estávamos falando português, antes de sequer ter aberto a garrafa de vinho, ouvi o seguinte dele: "puxa Jana, como você agüenta o sotaque portenho por tanto tempo? Já sei o que estava me deixando exausto, era este som na mesma cadência o tempo todo”.... BINGO!
E agora, pra não ser babaca com os argentinos, depois de muita reflexão sobre idiomas e suas sonoridades, acho que pra mim só tem mesmo 2 idiomas realmente lindos: o italiano e o francês. Não vou opinar sobre o português falado no Brasil porque sou nativa deste idioma e nem do inglês porque acho que ficamos "institucionalizados" a ele. Lindo, assim puramente sonoro e agradável aos ouvidos e aos demais sentidos só mesmo o italiano e o francês - experimenta aí dizer um "Je T'aime" ou um "Te voglio bene", que maravilha!!!!
Fomos, Bá e eu, passar o ano novo em Cuba. Rompi com os meus planos de aproveitar a temporada portenha pra conhecer mais lugares ao redor da Argentina, afinal os 50 anos da vitória da Revolução Cubana era uma data bacana pra ver de pertinho o que é o socialismo, ainda mais porque sabe-se lá se vai durar outros 50. Confesso também que especialmente os meus ouvidos precisavam de um break do sotaque LL: caLLe, pantaLLa, desarroLLo...
Pra resumir muito o que foi estar em contato com o socialismo por alguns dias, a visão que mais me marcou estava logo na chegada do aeroporto, pegando a avenida principal pra sair. Ao invés dos famosos outdoors chamando para o consumo de Visa, Nokia, Coca, etc....pelo caminho nos deparamos com uma plaquinha aqui e outra acolá, e que depois se repetiam por vários lugares da cidade: "Viva la revolución", "Pátria o Muerte, Venceremos!", "Hasta la vitoria siempre".

Pra ver o lado legal do socialismo, só mesmo com muito rum e o melhor da viagem: los puros. Realizei meu sonho de fumante. Quem trabalha comigo sabe que nas reuniões ou naquela saidinha da mesa pra tomar um cafezinho, tô eu sempre ali com um palitinho de café ou um papelzinho enrolado fingindo ser um cigarrinho. Pois bem, em La Habana lavei a alma e fumei muito charuto, pois como meu amigo Che Guevara, sou asmática e tragar me mata.
Falando em Che, praticamente toda publicidade revolucionária está ancorada na figura dele. Claro, muito inteligente do Fidel, afinal o Che morreu e assim virou mito, e mito dura pra sempre. E também o Che é muito mais gatinho que o Fidel.
De alguma maneira me mantive conectada com a Argentina vendo o Che tantas e tantas vezes....