sábado, 24 de maio de 2008

CURTAS

O preço médio de um CD aqui são 30 pesos. Em número absoluto deve ser o que custa no Brasil também, mas se converter deve valer a pena comprar aqui.

Acho que muita gente sabe que em Buenos Aires tem mais livrarias que no Brasil inteiro. É realmente muito legal se deparar com uma livraria a quase toda esquina.

Ir a pé no melhor restaurante de frutos do mar de Buenos Aires -Oviedo, calle Beiruti – não tem preço.

De um motorista de táxi uruguaio que vive há 34 anos em Buenos Aires: “Los argentinos son muy creídos”. Adorei essa expressão para referir-se ao excesso de auto-confiança dos hermanos.

O TICKET DO ESTACIONAMENTO


Ficamos no shooping só 5 minutos, então na hora de sair do estacionamento veio aquela dúvida: será que precisa pagar o ticket ou tem tolerância de 20 minutos como em São Paulo? Arriscamos e fomos em direção da saída contando com a tolerância, pois parecia bastante razoável isso ser igual em todas as partes. Quando fomos chegando perto da catraca, olhei pro Bá e disse “se não tiver tolerância, ao menos vai dar blog”. Bem, aqui estou comentando o assunto, pois dito e feito, não tem tolerância, paga-se o mínimo de 30 minutos.

DOCE DE LEITE

Por aqui mesmo o doce ruim é bom. Mas depois de um tempinho você até já sabe classificar melhor. Aquele Salamandra, que vende no freeshop, é bom, meio forte no final, de tão doce amarra na garganta. Ai descobri um doce mais gourmet que é vendido na Sorveteria Freddo. Esse tem sabor delicado, delicioso e sai 10 pesos o pote de 250 gramas. No dia a dia, compro o doce da Serenissima, que vende em pote plastico e fica na gôndola dos refrigerados, igual iogurte, que por só 3,50 pesos, é delicioso.

NO CINEMA


Os filmes aqui demoram mais a estrear do que em São Paulo.
Aquele filme com o Judie Law e a Nora Jones tinha estréia aqui finalmente prometida para quinta passada, depois de já estar em cartaz há mais um mês em São Paulo. Fui toda faceira ao cinema e chegando lá a estréia havia sido adiada para a outra semana.
Outro dia fomos assistir um filme argentino. Me surprendeu o Bá querer assistir o filme, pois no Brasil ele se recusa ir ao cinema pra ver filme nacional. O critério dele aqui não foi mantido e lá entramos nós na sala que estava quase vazia. E quando digo quase vazia, é quase vazia mesmo, estavam aí apenas mais 2 casais. O Bá jura que o filme era bem recomendado, que estava vazio porque já estava há 5 semanas em cartaz. Não sei não, fiquei achando que tem muito argentino como o Bá que não adere ao cinema nacional.

NO BANCO

Nos 3 primeiros meses aqui, quando ainda não tinha documento argentino de identidade, eu era obrigada a ir ao banco todos os meses descontar o cheque do meu salário. Era uma penitência, pois chegava no banco e pegava a senha 260 e olhava o marcador eletrônico marcando ainda 122. No Brasil quase não ia em banco, talvez se tivesse que ir ao banco ia tomar um chá de cadeira igual, então acabava me conformando. Ficava mais puta por não poder usar o celular dentro do banco (é proibido) do que com a fila em si.
No dia que chegou meu documento de identidade comemorei com muita vibração, pois o primeiro benefício que ele me traria seria me livrar da tortura bancária. Ledo engano, não consegui realizar a transferência do aluguel por Internet, pois quando tentei pedia o número da conta do destinatário, o CUIT (tipo um CPF), e ainda um tal de CBU, um outro número, de 22 dígitos. Tive que ir ao banco pra saber qual era. No mês seguinte, com o tal número gigante em mãos pensei que daquela vez não tinha erro!! E ao tentar transferir a grana, me deparei com a barreira de que pela Internet só podia transferir a quantia máxima de 1000 pesos. Lá vou eu ao banco outra vez, fazer transferência na boca do caixa pra poder enviar um valor maior que o permitido via internet. Pedi a transação, informei o número gigante, a resposta do caixa foi afirmativa, fiquei feliz. Aí quando fui confirmar se entrava a noite na conta da outra pessoa, a resposta do caixa, com cara de espanto, foi NÃO, só entraria na conta de destino em mais 3 dias, pois passaria pelo banco central. Que saudades do DOC e da TED.

EL ACTO DE 25 DE MAYO


A escola onde o Vini estuda fez uma peça teatral com as crianças em comemoração ao 25 de mayo, pela revolução. Foi muito legal ver o Vini dizendo a sua fala em alto e bom som, sucesso!! Quem é pai sabe a emoção que é ficar ali esticando o pescoço entre os outros pais e suas respectivas câmeras para ver os 2 minutos de fama do filho. Então imagina isso pensando que seu filho brazuca vai falar em espanhol na frente de todos.
E igualmente emocionante foi, ao início da apresentação, escutar o hino da Argentina e ficar ali em pé olhando a bandeira e vendo todos cantando….. pintou um sentimento de pátria num país estrangeiro ouvindo um hino que não é o da gente… estranho, mas passou, passou!!!

CAMPERAS E CHALECOS

O frio está chegando e as lojas aqui estão repletas de camperas e chalecos. A campera é aquele casacão de nylon ou matelassé com capuz e o chaleco é a mesma coisa sem manga, ou seja, colete.
10 entre 10 argentinas usam. Claro, é muito útil, pois como aqui a maioria dos lugares tem calefação, o casacão vai sobre a roupa e quando se chega num lugar fechado é só tirá-lo para ficar numa boa. Não é como a gente que tem que se encapotar todo porque dentro do escritório faz frio.
Por mais que pareçam todos iguais, existem camperas de mais tradicionais a mais modernas, os detalhes de costuras que deixam mais ou menos feminino, o tecido mais ou menos brilhoso. Preciso comprar uma, sei que vou precisar, mas com tanta opção e adesão não consigo me animar.

terça-feira, 13 de maio de 2008

SUCOS

Quem leu a entrada sobre frutas, vai entender facilmente que a consequência da falta de opções de fruta é a falta de sucos também, embora a coisa seja ainda mais complexa.
Explico: sempre que ia a um restaurante e perguntava que sucos tinha a resposta quase sempre era JUGO DE NARANJA. Isso era bom pra eu praticar a pronúncia e me lembrar das aulas de espanhol no Brasil onde repetia "jarra de jugo de naranja". Algumas raras vezes a resposta era LIMONADA O NARANJA. E muitas vezes a resposta era NO HAY JUGOS.
Passado um tempo, vendo o cardápio em um café, vi escrito ali LIQUADOS, aí me caiu a ficha que talvez os garçons me falavam que não tinha suco, pois conceitualmente para eles suco é só o que se faz espremendo direto da fruta. Muito bem, passei a perguntar se tinha algum suco ou liquado, mas a reposta seguiu mais ou menos na mesma média. Me deparei então com outra verdade: fazer o tal liquado dá trabalho e a maioria dos restaurantes não está disposto a utilizar toda uma área e gerar mais sujeira se as pessoas nem fazem muita questão. Muito mais prático manter garrafas no freezer e só.
Eu odeio refrigerante, não por questões de saúde, simplesmente não gosto do sabor de nenhum deles, acho todos ruins em maior ou menor escala. O Vini consequentemente também sempre foi muito adepto do suco, toma refri final de semana, pois em casa nunca comprei.
Hoje em dia, pra manter o hábito de tomar suco, ensinei a babá do Vini a fazer limonada suíça, coisa que fica até melhor com esse limão mais amarelo que eles usam do que com o limão de caipirinha, e aproveito pra transformar o abacaxi ruim de comer em um bom suco também.
O duro é que o era bem espontâneo hoje virou um ato de disciplina.

FRUTAS e frutas


Semana passada estive no Brasil por 2 dias, e acho que nunca comi tanto mamão em tão pouco tempo: era papaia no café da manhã, suco no almoço, sobremesa no jantar, pedido extra de room service, rs!
Acontece que aqui em Buenos simplesmente NÃO TEM!!! nem mamão mamão mesmo nem papaia, então precisava matar as saudades do meu querido amigo a ponto de me arriscar a fazer mais que só cocô bonitinho, eca!
Nem em lugares mais sofisticados tem, sem chances!! E olha que aqui tem uma frutaria por esquina. Na fachada é aquela coisa bem bonitinha de frutas na porta, mas quando você entra e olha no detalhe só tem banana nanica (isso mesmo, um único tipo de banana), laranja, pomelo (aquela laranja grande com gosto de estragado, mas pra quem quer ser chique chama de grapefruit e beleza), maça tipo papinha de criança (só essa variedade também) e um limão tipo siciliano. O limão verde aqui é chamado de "limão de caipirinha" em nossa homenagem e um kilo custa 27 pesos, coisa que é um roubo seja lá que conversão de moeda você usar.
Pra sair deste kit básico tem as frutas da temporada. Até final de abril tinha pêssego de tudo que era tipo e a preço sim de banana. Mas agora que terminou a época, também não acha mais de jeito nenhum.
Outras frutas tipo abacaxi e manga, quando se encontra não dá pra se animar muito, pois deixa bem a desejar pro paladar de quem cresceu acostumado a comer essas frutas realmente boas.
Mas há esperança, tá chegando a temporada do morango, ebaaaaaaaa!!!!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A MELHOR CARNE NA MÃO DOS PIORES CHURRASQUEIROS – com a palavra Bá Assumpção – convidado especial

Sabe aquele churrasco delicioso, mal passado, que se come em São Paulo em casas argentinas como o 348 e o Pobre Juan? Na Argentina mesmo a história é diferente.
Numa das primeiras churrascarias que fui, pedi um bife de chorizo jugoso (mal passado), e a carne veio além do ponto, praticamente bem passada. Chamei o garçom e perguntei no meu portunhol: señor, jugoso es así? Resposta seca e enfadada: así lo es. E é verdade: asi lo es em quase todas as churrascarias que fomos.
Gado de primeiríssima. Abate aos 12 meses. Pampa plano que não deixa a carne dura, pasto de primeira… aqui os caras vendem carne e couro para o mundo inteiro há mais de 200 anos. Fico imaginando quanta carne maravilhosa os asadores daqui já não transformaram em sola de sapato esturricada. Um crime de lesa braseiro. Uma vez insisti no portunhol e expliquei com clareza: señor, roja por dentro. Os caras não sabem fazer. Veio crua por dentro e cinzinha triste por fora.
Conclusão: os argentinos são muito melhores de boi do que de brasa.

DUAS CARNES


Pra quem for tentar a sorte como nós em churrascarias, recomendo muito duas carnes, que saem do convencional bife de chorizo, ojo de bife, bife de tira e vacio. Provem o seguinte: 1. Entraña – não se assustem com o nome, sei que lendo o cardápio é um nome que sugere partes estranhas, mas não é não. A entranha deve ser algum corte primo/irmão da nossa fraldinha, bem saborosa, delícia, vale a pena. 2.Molleja – pronunciar essa é um desafio. O LL tem som de J e o J tem com de R. E a gente na hora H, confunde e fala qualquer coisa. Essa carne é sim uma parte estranha: dizem ser uma glândula que tem no coração e no pescoço da vaca e melhor não investigar isos mais a fundo. Mas não tem aquela textura de miúdos, coisa que odeio. Quem me conhece um pouco sabe bem dos meus problemas organolépticos com a comida. Então pode confiar que a molleja é bem boa: parece um galetinho (vide prova fotografica), mas o sabor vai crescendo a cada mastigada, boníssimo!!!

DOIS VINHOS da mesma bodega


Outra coisa bacana é descobrir novos vinhos. No Brasil acabamos consumindo os vinhos argentinos de bodegas que vão se consagrando como o Catena Zapata. Aqui estou adorando tomar dois vinhos, da mesma bodega: Finca Amalia. São eles: Luna (rs, mas é verdade) e o Dos Fincas. Estou começando a organizar uma listinha dos vinhos que provo e gosto, tem mais alguns, mas esses dois me abriram um bom caminho: se gostar de um vinho, continue experimentando outros da mesma bodega que a chance de acertar é maior. No dia que eu for conhecer Mendonza, seguramente passarei pela Finca Amalia.

DOIS RESTAURANTES GOURMAND – e menos turístico também

Dois lugares que vale a pena conhecer:
Freud & Fahler – rua/calle Gurruchaga, 1750 em Palermo
Syrop Folie – Rua/calle Vicente Lopez, 1671 na Recoleta
Esses dois lugares tem um toque mais gourmet na comida, combinações e sabores gostosos de se descobrir a cada mastigação. Nota-se que tem um chef que estudou e preparou bem cada receita com muito capricho.
Só não vou dar a dica do meu restaurante predileto aqui, pois esse quero manter em sigilo absoluto! Mas quem vier me visitar, levo lá com prazer!!

+ DOIS RESTAURANTES – escapando dos lugares de turista



Quem vem a Buenos Aires num daqueles feriados de ponte ou por uns dias a trabalho, inevitavelmente acaba indo em restaurantes como o Sucre, Bar Uriarte, Casa Cruz, que são sim boas opções de ambiente e comida. Comer uma boa carne por aqui, obviamente, também é parte do roteiro. Quem está disposto a pagar o valor de ir na casa de carne dos donos do Rubayat, vai ao Las Lilas e quem quer pagar menos acaba no La Caballeriza. E tem mais varias opções, tudo ali lado a lado, no famoso bairro de restaurantes Puerto Madero. Ainda podemos incluir na listinha turística o La Biela, na Recoleta, onde leva-se pelo menos 20 minutos pra conseguir que uma coca-cola chegue na sua mesa. É um restaurante/café antigo, famoso, mas que deixa a desejar. Chamo esse tipo de lugar de “ o ruim que é bom”, mais pela tradição do que por qualquer outra razão. Se fosse em São Paulo seria um tipo de Pandoro e no Rio un tipo de Bar da Lagoa, embora esse tenha linda vista pra justificar melhor a visita. Então vou dar a dica de dois restaurantes, tipo bistrot francês, ambos do mesmo dono, ambos de esquina, que vale a pena conhecer pra sair desse circuitão turista: O La Petanque, en San Telmo na rua/calle Defensa 596. Ao visitar San Telmo é uma super opção de almoço pra escapar dos muitos restaurantes “pega turista” que tem ali. E o Le Bouchon no centro , na rua Tucuman 400. Os dois lugares são uma graça, a decoração realmente dá vida ao lugar, os garçons são do tipo profissional e não daquele que está ali de passagem pra fazer uma grana, ou seja, atendimento bem acima da média. E a comida busca seguir a risca as receitas da culinária tradicional francesa, com apresentação bem moderna.

DE SUNGA NA NATAÇÃO – PEQUENAS GRANDES DIFERENÇAS


Esses dias me dei conta que o Vini era a única pessoa de sunga na natação. Os outros moleques usam bermuda e os adultos shorts ou bermuda também. O Vini nem se dá conta dessa diferença, pois criança realmente não se aluga com coisas do universo adulto. Mas eu confesso que fiquei pensando se não deveria comprar urgente uma bermuda pra ele; será que a percepção dos outros moleques em relação a ele poderia ser estranha por ele usar sunga?, rs!