domingo, 27 de julho de 2008

ENQUANTO A CRISTINA NÃO GOVERNA….


O vice-presidente toma proveito do seu voto de minerva no senado contra a presidenta em relação ao aumento da taxa de exportação para produtos agro-pecuários, e o país segue sem andar. Não adianta a Cristina falar que o ato dele foi uma traição ao Peronismo, pois faz quase 6 meses que o assunto não conseguiu avançar em negociações amigáveis e, depois do povo bater muita panela na rua, deu no que deu. Aliás é muito argentino o impasse nas negociações. Se os dois lados se acham com a razão, ficam ali empacados por muito tempo. E enquanto o governo empaca, a inflação come solta. Na maioria das vezes, eu tenho apenas uma noção do preço das coisas, que sei o preço médio, mas que nem sempre identifico no detalhe o que foi exatamente que subiu, embora veja claramente o resultado dos aumentos na minha conta final do supermercado, fui impactada por um aumento há duas semanas: o sorvete de casquinha do Mc Donal’s subiu de 2 para 2,5 pesos. Puxa vida, 25%, é muita grana.
Se pensarmos a sério, as perpectivas para o jovem nesse país estão de mal a pior. Um recém formado com sorte ganha 2 mil pesos, com um pouco mais de experiência deve ganhar entre 4 e 5 mil, enquanto um apartamento de 2 quartos num lugar razoável é US$ 100 mil. Se esse jovem não morar com os seus “viejos” (nome carinhoso para referir-se aos pais) e ainda tiver que pagar aluguel e todas demais despesas, realmente fica complicado fazer o pé de meia.
Ainda assim, acho que os argentinos vêm de um toada de país tão complicado que acabam achando esse momento de agora menos dramático. Afinal a crise de 2001 foi muito pior. Numa sessão revival, comentou-se sobre os cidadãos de classe média que entravam nas lojas junto com os salteadores “profissionais” , tomando proveito do arrastão que faziam estes mais desesperados. E que tinha gente que na hora H não levava o leite e a farinha não, e sim roubavam garrafas de champagne e aparelhos de dvd. E passada a crise o dono do estabelecimento batia na casa do camarada junto com a polícia para devolver as coisas, pois eram vizinhos conhecidos do bairro que participaram de tal barbárie. Tenho a impressão que por todo esse histórico o argentino hoje leva a vida bem no presente, aproveita o momento com os recursos que tem. Quem não tem mais grana pra curtir hábitos caros, acabou adaptando seu lazer para opções mais econômocas. Não vejo os argentinos se queixando. E nesse caso, nem acho que é porque eles não caem do salto não, acho que é por acreditarem mesmo em qualidade de vida e assim desfrutar o agora…. Racuma matata!

Um comentário:

Anônimo disse...

La Nacion de ontem (sábado - 9 de julho): indicadores da Argentina voltam ao nível de 2001. Só pra dar uma idéia, 2001 foi o ano em que a economia da Argentina diminuiu 20% em tamanho e e país teve 5 presidentes. Tá cheio de hermano latindo no quintal pra economizar cachorro. E a presidenta imóvel. Mas o futebol é favorito pro ouro na China...